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domingo, 12 de janeiro de 2014

AVALIAÇÃO E OBSERVAÇÃO


A avaliação é uma prática social, estamos sempre avaliando, fazendo escolhas. Avaliamos o que queremos e o que não queremos, o que é mais adequado às nossas necessidades e o que não é, enfim, fazemos opções e, para chegar à conclusão de pelo que optar, estamos ponderando, selecionando, analisando e decidindo, então estamos avaliando.
Na escola, quando temos todas essas ações, estamos avaliando a aprendizagem e o desenvolvimento das crianças. No entanto, para que essa avaliação seja pertinente, deve acontecer a partir de uma seleção criteriosa de aspectos a ser avaliados: objetivos e conteúdos (se foram adequados ou não) e estratégias (se possibilitaram avanços, permitiram intervenções ou não).
Não podemos esquecer que a avaliação é um processo, ou seja, não devemos ter um olhar para as crianças apenas, mas também para todos os fatores e sujeitos que estão envolvidos nas ações, atividades, intenções e objetivos do desenvolvimento da criança no espaço da escola de Educação Infantil; precisamos avaliar, também, o trabalho que lá é desenvolvido.
Avaliar não é uma tarefa fácil, principalmente na Educação Infantil, pois muitas vezes ainda encontramos concepções de avaliação que estão pautadas na classificação dos alunos.
Historicamente, sabemos que a avaliação servia de instrumento para separar os que sabiam dos que não sabiam, verificar o quanto os alunos aprenderam a partir do ensinado pelo professor e, se não atingissem o esperado, eram reprovados. Avaliar significava medir.
Os estudos mais atuais diferenciam-se desse tipo de avaliação, considerando a análise dos processos de ensinar e aprender, buscando estratégias para diagnosticar o que as crianças já sabem sobre determinado assunto, analisando os avanços alcançados por elas em determinado período.
Essa forma de avaliar não compara a criança com padrões pré-estabelecidos, mas sim o percurso percorrido em determinado tempo por ela mesma, indicando avanços e dificuldades.
Avaliação é aqui entendida como mediadora entre a ação educativa e a aprendizagem e o desenvolvimento da criança.
O educador tem um papel importante, pois para construir essa prática avaliativa deverá preocupar-se mais com o processo do que com os resultados e, quando estamos ressaltando a importância do processo, o professor e o trabalho que este desenvolve é parte dele.
Essa prática avaliativa é muito mais dinâmica e exige do professor observar todas as situações cotidianas em que ocorrem a aprendizagem. Nesse processo, não só o professor é sujeito importante, os outros profissionais que trabalham na escola e a família também têm esse papel.
Por que o professor e a instituição avaliam?
Para que por meio da observação e do registro o professor possa acompanhar os avanços das crianças, e a partir dessas informações refletir sobre alternativas, estratégias e intervenções necessárias para ampliar o percurso das crianças, bem como refletir sobre seu fazer e sua formação.
A instituição avalia para analisar e reorganizar sua estrutura e seu funcionamento em função das necessidades apontadas pelas crianças, pais e professores. Para repensar sua proposta e a formação dos profissionais que ali atuam, ou seja, quando avaliamos o desenvolvimento – os avanços das crianças –, tudo e todos os envolvidos estão sendo avaliados; essa é a dimensão pedagógica da avaliação, é a melhor e mais correta forma de avaliar.
Como avaliar?
Não é possível avaliar a partir de uma listagem de comportamentos, objetivos e aprendizagens pré-estabelecidas, pois, com base no que já foi dito, a observação do desenvolvimento das crianças é o principal instrumento avaliativo.
A avaliação deve ser orientada por metas e objetivos claros, definidos na proposta pedagógica da instituição e concretizados na prática educativa.
Além da observação, o registro é, também, um instrumento avaliativo. Esse registro pode acontecer por meio de diferentes instrumentos como: relatórios diários e gerais, fotografias, portfólios, desenhos das crianças etc. O importante é pensar no significado dos registros, nas reflexões que eles suscitam, na análise que é possível fazer daquilo que se observou e a partir daí identificar as melhores intervenções a ser realizadas. (Saiba mais sobre o assunto ao final da aula)
O registro é também importante fonte documental da história e do processo de trabalho e desenvolvimento das crianças.
Quando avaliar?
Nas atividades em grupo, nos jogos, nas brincadeiras coletivas e individuais, nas atividades que envolvam ou não desafios referentes às áreas de conhecimento, em todos os momentos da rotina, na interação com as outras crianças e com os adultos, enfim, em todos os momentos o professor poderá avaliar.
O importante é ter objetivos claros e olhar focado para essa avaliação, é preciso saber o que se quer observar, por que e como fazê-lo – para que as preciosas informações não se percam e tenham realmente uma utilidade avaliativa do trabalho que é desenvolvido e possibilitem pensar novas atividades, propostas e formas de organização dos espaços e do tempo nas instituições de Educação Infantil.
O que acontece quando o professor percebe que o aluno tem dificuldades e continua a aula?
Construindo registros de acompanhamento e relatórios de avaliação
Registrar é a forma de não ser “enganado” pela memória. É a forma de não esquecer o que é importante. E o importante é acompanhar as conquistas e os avanços das crianças em diferentes situações.
Além disso, registrar é uma forma de refletir sobre os acontecimentos, o que deu certo ou não, o que não foi pensado, mas que agora pode ser melhorado. Sabemos que muitas vezes registrar é difícil porque deixa marcas, compromete, como diria Madalena Freire.
Saiba maisHOFFMANN, Jussara. O jogo do contrário em avaliação. Porto Alegre: Mediação, 2005.
Quando registramos o que está acontecendo com a criança, temos a possibilidade de pensar quais os motivos que a levam a se comportar desta ou daquela maneira e de mediar suas relações com o ambiente e com as outras crianças, favorecendo seu avanço no processo de desenvolvimento.
O registro tem a função de oferecer ao professor elemento para que ele decida como encaminhar seu trabalho, de modo a promover o desenvolvimento das crianças. A partir dos registros diários, o professor poderá construir os relatórios de avaliação que trazem a visão da criança por um período maior de tempo.
Eles trazem, também, os aspectos relativos ao conhecimento de mundo que as crianças vão construindo ao longo do processo educativo. Para construirmos tanto os registros diários quanto os relatórios periódicos de avaliação, precisamos nos basear naquilo que pretendemos com o nosso trabalho. Por isso, o primeiro passo para construir um relatório é rever os objetivos estabelecidos no planejamento.
Em relação à apropriação dos saberes, não é suficiente sabermos se os estudantes dominam ou não determinado conhecimento ou se desenvolveram ou não determinada capacidade. É preciso entender o que sabem sobre o que ensinamos, como eles estão pensando, o que já aprenderam e o que falta aprender. Essa mudança de postura é o que diferencia os professores que olham apenas o produto da aprendizagem (respostas finais dadas pelos alunos) e os que analisam os processos (as estratégias usadas para enfrentar os desafios).
Saiba mais
Hernández define portfólio como: um conjunto de diferentes tipos de documentos (anotações pessoais, experiências de aula, controles de aprendizagem, conexões com outros temas fora da escola, representações visuais etc.) que proporciona evidências dos conhecimentos que foram sendo construídos, as estratégias utilizadas para aprender e a disposição de quem elabora para continuar aprendendo.
HERNÁNDEZ, Fernando. Cultura visual, mudança educativa e projetos de trabalho. Porto Alegre: Artes Médicas, 2000, p. 166.
Referência
BARBOSA, Maria Carmen Silveira. O acompanhamento das aprendizagens e a avaliação. Pátio Educação Infantil. Ano II. n. 4. abr-jul 2004. p. 16-19.
PERRENOUD, Phillipe. Avaliação: da excelência à regulação das aprendizagens – entre duas lógicas. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1999.
VASCONCELLOS, Celso. Avaliação da aprendizagem: práticas da mudança – por uma práxis transformadora. São Paulo: Libertad, 2003.

CONCLUSÃO PESSOAL

O texto nos demonstra a dificuldade de avaliar, pois antes de realizarmos tal ato, devemos nos concentrar quais os métodos avaliativos de que forma avaliar e quais as estratégias de avaliação.
Esta avaliação poderá ser também um instrumento mediador entre o que o professor pretende atingir, ou seja, quais seus objetivos gerais e especifico e quais as dificuldades que ele vem tendo para não alcançar tal objetivo.
A Unidade Escolar também poderá usufruir das avaliações deste professor para se posicionar nas mudanças pedagógicas da escola.
Os métodos de avaliação são diversos tais como acompanhar a evolução do aluno diariamente através de portfólio, relatórios em cadernetas, participação do aluno, atividades extraclasse. Isso porque a avaliação não é mais somente conteudista, pois é preciso entender o que os alunos compreenderam sobre o assunto trabalhado e o que falta entender.

Devemos avaliar-nos para poder avaliar se realmente estamos fazendo o que é possível e se estamos usando os instrumentos corretos para essas avaliações, pois o aluno não devera ser prejudicado por uma avaliação mal realizada pelo seu professor.