Na
intenção de levá-lo a refletir sobre o uso da língua, começaremos com a leitura
do texto de Milton José de Almeida (1999, p.10-14), que narra a conversa entre
duas pessoas, uma delas, professor de Português.Durante a leitura, analise cada resposta, cada interferência ocorrida durante o diálogo,
para que inicie o estudo da disciplina e compreenda o uso da língua e suas variantes.
Vamos à leitura?
Português: uma só língua?
Comecemos a conversa, a
meio caminho entre o sério e o cômico (também
trágico...), imaginando um
diálogo. Alguém pergunta a um professor de português...
– Ensina-se mesmo
português, essa língua que a gente usa todo dia?
– É claro, em escolas do
primeiro ao terceiro graus, há aulas de português.
Portanto...
– A quem se ensina
português?
– Ora, além de
estrangeiros interessados, ensina-se principalmente a brasileiros...
– que já falam
português!... Ah! então eles não falam bem português?!
O diálogo nos traz uma discussão linguística acerca do ensino da
Língua Portuguesa na escola, mostrando que apesar de ser uma só língua, aponta
diferenciações entre o português ensinado na rede pública do ensinado na rede
privada, salientando que o meio social a produz no tempo e no espaço, além de
interferir na aquisição da linguagem.
Enfatiza que a escola é a propagadora do fato de que aos menos
favorecidos é dado somente o direito da escuta, visto que ela ensina a norma
padrão, e aqueles que não fazem uso dessa língua são considerados sem língua.
Ela acaba impondo aos seus frequentadores modelos de ensino e
conteúdos produzidos para a conservação dessa situação injusta, assim como
considera todo e qualquer conteúdo como válido, sem julgá-lo criticamente,
mesmo que historicamente verdadeiro, baseado muitas vezes em ignorâncias,
preconceitos e verdades incontestáveis.
“Infelizmente muitos de
nossos professores continuam seguindo olivro didático e nunca pensam no que
seja realmente essencialà vida daqueles alunos, ensinando análise sintática a
criançasmal alimentadas, pálidas, que acabam, depois de aulas onde não faltam
castigos e broncas, condicionadas a distinguir o sujeito de uma oração. Essas
crianças passarão alguns anos na escola sem saber que poderão acertar o sujeito
da oração, mas que nunca serão sujeitos das suas próprias histórias. Separarão
a leitura do entendimento e da refl exão, como se não fossem consequências
naturais.”
(GERALDI, 2006 p.16)