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quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

ENSINAR PORTUGUES - O USO DA LÍNGUA



Na intenção de levá-lo a refletir sobre o uso da língua, começaremos com a leitura do texto de Milton José de Almeida (1999, p.10-14), que narra a conversa entre duas pessoas, uma delas, professor de Português.
Durante a leitura, analise cada resposta, cada interferência ocorrida durante o diálogo,
para que inicie o estudo da disciplina e compreenda o uso da língua e suas variantes.
Vamos à leitura?
Português: uma só língua?
Comecemos a conversa, a meio caminho entre o sério e o cômico (também
trágico...), imaginando um diálogo. Alguém pergunta a um professor de português...
– Ensina-se mesmo português, essa língua que a gente usa todo dia?
– É claro, em escolas do primeiro ao terceiro graus, há aulas de português.
Portanto...
– A quem se ensina português?
– Ora, além de estrangeiros interessados, ensina-se principalmente a brasileiros...
– que já falam português!... Ah! então eles não falam bem português?!
O diálogo nos traz uma discussão linguística acerca do ensino da Língua Portuguesa na escola, mostrando que apesar de ser uma só língua, aponta diferenciações entre o português ensinado na rede pública do ensinado na rede privada, salientando que o meio social a produz no tempo e no espaço, além de interferir na aquisição da linguagem.
Enfatiza que a escola é a propagadora do fato de que aos menos favorecidos é dado somente o direito da escuta, visto que ela ensina a norma padrão, e aqueles que não fazem uso dessa língua são considerados sem língua.
Ela acaba impondo aos seus frequentadores modelos de ensino e conteúdos produzidos para a conservação dessa situação injusta, assim como considera todo e qualquer conteúdo como válido, sem julgá-lo criticamente, mesmo que historicamente verdadeiro, baseado muitas vezes em ignorâncias, preconceitos e verdades incontestáveis.

“Infelizmente muitos de nossos professores continuam seguindo olivro didático e nunca pensam no que seja realmente essencialà vida daqueles alunos, ensinando análise sintática a criançasmal alimentadas, pálidas, que acabam, depois de aulas onde não faltam castigos e broncas, condicionadas a distinguir o sujeito de uma oração. Essas crianças passarão alguns anos na escola sem saber que poderão acertar o sujeito da oração, mas que nunca serão sujeitos das suas próprias histórias. Separarão a leitura do entendimento e da refl exão, como se não fossem consequências naturais.”

(GERALDI, 2006 p.16)