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segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

QI - COMO É VISTO E COMO ELES CONVIVEM EM SOCIEDADE

A FORÇA DA INTELIGÊNCIA NA SUA VIDA  - ENTREVISTA DA VEJA
“Pesquisas revelam que as pessoas com QI elevado têm também inteligência emocional com alto potencial e boas chances de realização pessoal e profissional. Sabe-se agora que o nível de inteligência da humanidade tem aumentado muito. E, segundo os especialistas, existe um arsenal de recursos para expandir a capacidade mental das pessoas sobretudo a inteligência das crianças.”
(Revista Veja)
Inteligência é conhecer a si mesmo
Professor da Universidade de Iowa, nos Estados Unidos, o neurologista português Antônio Damásio divide com o inglês Oliver Sacks o título de grande estudioso da mente humana, com uma vantagem para o público leigo: os dois são capazes de traduzir o que descobrem em linguagem coloquial. Damásio especializou-se na consciência, a função mental que dá às pessoas a sensação de serem únicas no mundo e, portanto, permite o reconhecimento da existência do outro. Para Damásio, a fronteira final do estudo da inteligência será alcançada quando se desvendar a maneira pela qual a mente aprende a aprender. Abaixo, a entrevista concedida a Denise Ramiro, de VEJA. (O estudioso dos mecanismos da consciência fala sobre a evolução da capacidade mental. ANTÔNIO DAMÁSIO - neurologista português é dos maiores pesquisadores da mente humana)
Veja - Considerando que o computador disponibiliza uma enorme riqueza de imagens e informações, comparando as pessoas de hoje com as de vinte anos atrás pode-se dizer que hoje há mais inteligência?
Damásio - O meio muito rico em que vivemos atualmente, com televisão, cinema e computador, leva nosso cérebro a ter uma agilidade maior. Mas isso não é tudo. Ao mesmo tempo que a tecnologia permite que as pessoas tenham acesso a maior volume de informações, pode inibir a capacidade de decisão e de imaginação. É preciso, portanto, aprender a lidar com as novidades para que elas sejam bem aproveitadas.
Veja - Por que os testes de QI estão voltando?
Damásio - O teste tradicional de medida do quociente de inteligência, o QI, é expressão de uma capacidade geral de inteligência. Ele é especialmente útil se considerar que a maior parte das pessoas que sobressaem num tipo específico de inteligência (emocional, artística ou motora, por exemplo) tem também um QI elevado. Isso porque toda a atividade humana é resultado de uma combinação de fatores intelectuais e emocionais. Ou seja, a sensibilidade é muito importante, mas a capacidade de raciocínio, que está ligada à inteligência, também tem um enorme papel a desempenhar.
Veja - Existe uma fórmula para garantir que os filhos sejam inteligentes e bem-sucedidos?
Damásio - Não há uma fórmula, mas existem algumas regrinhas básicas. Garantir que a criança tenha boa saúde, desde a gestação, é fundamental. Depois, é importante oferecer um ambiente de carinho e que seja rico e estimulante, do ponto de vista intelectual e emocional. Com isso, a criança poderá desenvolver sua inteligência e terá mais chances de ser feliz.
Veja - Estão no cérebro as razões do sucesso ou insucesso das pessoas?
Damásio - As características físicas do cérebro ajudam a determinar o destino das pessoas, sua possibilidade de ser feliz ou infeliz. Mas não é só isso. O destino também é resultado do meio social e cultural em que nos desenvolvemos. A maneira como as pessoas enfrentam a vida e os resultados que obtêm é conseqüência de uma combinação de fatores biológicos, que vêm de nossa estrutura física cerebral, e culturais, que têm a ver com a forma como cada um de nós se desenvolveu na estrutura familiar, escolar e social no sentido mais amplo. Sou totalmente contra as idéia de que tudo aquilo que somos é determinado pela carga genética que carregamos e pela nossa estrutura física.
Veja - O que ocorre em nosso cérebro que nos faz tomar conhecimento do que acontece no mundo?
Damásio - São os mecanismos da consciência de que trato no meu livro O Mistério da Consciência. Nosso cérebro elabora uma construção não só das imagens do que acontece no mundo, mas também da nossa própria imagem. É através dessa imagem, que relaciona corpo e objeto, que vamos construir o sentido da consciência, o sentido do próprio e a capacidade que temos de conhecer aquilo que acontece à nossa volta.
Veja - As pessoas costumam achar que decidem e pensam melhor quando estão de cabeça fria, livres de emoções. Esta é uma impressão correta?
Damásio - É uma impressão totalmente errada. As emoções são extraordinariamente importantes no processo de decisão. A emoção faz parte do mecanismo neurológico da decisão.

CONCLUSÃO
Até aonde chega os que tem QI elevado e seus conflitos com a sociedade em que vive

As fotos que ilustram estas duas páginas são de sócios de uma organização peculiar: a Mensa Brasil. Ela é o braço brasileiro de um clube internacional (com site na internet no endereço www.mensa.org), nascido na Inglaterra em 1942, que reúne alguns dos donos dos mais altos quocientes de inteligência (QIs) de todo o planeta. Conversar com essa gente é uma experiência que comprova algumas das últimas descobertas feitas pelos cientistas que pesquisam a inteligência e o comportamento humanos. Essas pessoas tendem a ser mais curiosas, seus interesses abrangem um universo maior e a relação delas com o mundo é mais rica. Há os gênios ranzinzas e os sábios ermitãos, mas tudo indica que estes são exceção à regra. Pelo que a ciência vem reafirmando, o quociente de inteligência medido pelos testes mais tradicionais (aqueles que detectam a capacidade de raciocínio lingüístico, matemático e lógico) indica também o potencial da pessoa para se relacionar com os outros e para enfrentar os problemas do dia-a-dia.
Nessa perspectiva, o QI seria um fator importantíssimo para o sucesso na busca da felicidade. "As pesquisas têm demonstrado que as pessoas com menor quociente de inteligência tendem a ter pior performance na escola, carreiras profissionais problemáticas, laços familiares frágeis e, por tudo isso, a apresentar mais freqüentemente quadros depressivos", diz a psicoterapeuta americana Cathi Cohen, que trabalha com programas de treinamento de crianças em Washington e há quinze anos pesquisa a relação entre inteligência e felicidade.
O roqueiro Roger Rocha Moreira, do grupo Ultraje a rigor, tem 44 anos e QI 172 - altíssimo. O QI médio fica entre 90 e 110. Ele está em uma das fotos que ilustram a abertura desta reportagem. Roger se alfabetizou sozinho aos 3 anos de idade, pulou a 4a série primária porque já sabia tudo que estava sendo ensinado e chegou ao 2o ano do curso de arquitetura antes de decidir seguir carreira musical. "Sempre consegui tudo que quis", ele diz. Há outros exemplos de pessoas inteligentes, bem sucedidas e bem conhecidas dos brasileiros nas páginas seguintes. Como se verá, quem tem alto quociente de inteligência não precisa necessariamente ter um diploma em física quântica. O QI de Jayne Mansfield, símbolo sexual produzido para fazer frente a Marilyn Monroe, era 163. O ator James Woods estudou no Instituto de Tecnologia de Massachusetts, o renomado MIT. No teste para entrar na escola acertou as 800 questões de conhecimentos gerais e 779 das 800 de matemática. Seu QI: 180. E a atriz Sharon Stone, que sempre é lembrada pela cruzada sensacional de pernas que dá no filme Instinto Selvagem, entrou na universidade aos 15 anos de idade e tem QI 154.
Não tão famoso, o médico e neurocirurgião paulista Joel Augusto Ribeiro Teixeira, 32 anos, é o presidente da Mensa Brasil. Sua mulher, Márcia Hartmann Teixeira, neurologista e musicista nas horas vagas, também é sócia da Mensa. Convivendo com computadores, filmes falados em inglês, videogames e com os amigos dos pais, os dois filhos, Felipe, de 1 ano e meio, e Marina, de 3 anos e meio, desenvolveram habilidades precoces. Felipe canta várias músicas de cor e reconhece notas musicais. Marina começou a falar aos 8 meses e aprendeu a ler sozinho aos 3 anos. E canta música em inglês sem nunca ter aprendido a língua - apenas repetindo o som que escuta.
A família de Joel é um exemplo de outra conclusão a que os pesquisadores da mente humana estão chegando: de que o QI médio da população mundial tem se elevado. E não pouca coisa. Na Inglaterra, o salto foi de 27 pontos desde 1942. Nos Estados Unidos, foram 12 pontos desde 1932. Na Holanda, em dez anos se registrou um salto de 20 pontos, e, na Argentina, 22 pontos a mais desde 1964. Em 25 países onde as medições acontecem de forma regular, verificou-se um progresso notável no nível intelectual da população, e os pesquisadores acreditam que a descoberta pode ser generalizada para o planeta. "as transformações são dramática", diz Oliver Sacks, neurologista inglês, professor no Albert Einstein College of Medicine, de Nova York. "Devem estar ocorrendo mudanças e reorganizações fisiológicas e anatômicas na microtextura do cérebro que ainda não podemos entender plenamente." A inferência que se pode fazer é a seguinte: com uma cabeça melhor, o quociente de felicidade da humanidade, por assim dizer, também deve estar mais alto.
No Brasil a prática da medição do QI não é muito difundida. Normalmente os testes são aplicados em crianças que apresentam comportamento destoante na escola, no clube ou em casa. São crianças que têm deficiências de aprendizagem ou de relacionamento social. Portanto o Brasil não contribui com informações para os trabalhos feitos por neurologistas e psicólogos. A instituição que aplica provas regulares e formais no país - e isso há apenas um ano - é a Mensa Brasil.
Outro exemplo da evolução generacional da inteligência é do da família de Carlos Leite, engenheiro. Leite tem QI 164. É um expoente na faculdade, adora matemática, toca guitarra, lê tudo que lhe cai nas mãos. Um de seus sobrinhos, no entanto, conseguiu superar o índice já alto do tio no teste de QI. Pedro Moreira Graça, de 15 anos, tem QI 168 e seu irmão, André, de 16 anos, chega aos 152. Quando criança, André observava a irmã mais velha aprendendo a ler. Aos 4 anos, numa pizzaria, leu o cardápio e escolheu o sabor de sua preferência. A máxima de André: "Ser inteligente não é saber muita coisa. É saber o que é necessário". Pedro quer estudar filosofia e psicologia. André prefere composição musical. Os irmãos são diferentes em várias coisas. Em comum, possuem uma inteligência excepcional, maior que a do tio-cabeça.
As explicações mais razoáveis para elevação do nível médio de inteligência da população têm a ver com alguns dos processos do mundo moderno. São as seguintes:
·           As pessoas estão mais expostas a informações, estímulos visuais e desafios .
·           As famílias são menores, o que permite aos pais dar mais atenção aos filhos, responder a suas perguntas com maior paciência.
·           O trabalho, de forma geral, exige maior esforço mental e faz com que as pessoas aprimorem seus conhecimentos lendo ou viajando.
·           Até as atividades de lazer demandam maior conhecimento hoje que no passado.
·           Computadores, videogames e holografias formam cérebros acostumados a lidar com várias dimensões e aumentam o poder de concentração.
·           O novo modelo de escola permite que as crianças mostrem e desenvolvam seus interesses. Aulas monótonas estão cada vez mais em baixa. Os alunos estão mais interessados em entender processos que em decorar dados.
·           A globalização amplia a universo individual e familiar, põe o indivíduo em contato com culturas, línguas e costumes diferentes.
Há um efeito multiplicador na inteligência. Pessoas inteligentes e competentes são estimuladas por ambientes mais ricos em informação, mais livres para a criatividade. Vivendo nesses ambientes, elas provocam mudanças, oferecem novos estímulos e ensejam o crescimento daqueles com quem convivem. Assim, a média da inteligência da população sobe. "O QI das pessoas é afetado pelo ambiente e pelos genes e o ambiente em que vivem é determinado pelo seu QI", diz Willian Dickens, pesquisador da Brookings Institution , dos Estados Unidos, autor de um artigo sobre o tema na edição de abril da Psychological Review, revista publicada pela Associação Americana de Psicologia. Está aí algo a que se deve prestar muita atenção. "É visível que as crianças são mais inteligentes hoje que no passado . Elas são capazes de dominar um universo muito grande de informações e instrumentos e se adaptam com facilidade a situações novas", diz Ricardo Costa Mesquita, diretor pedagógico da escola Oswald de Andrade, em São Paulo.
"Nem todos os educadores estão preparados para lidar com esse novo público e por isso os pais devem ter um cuidado especial com seus filhos no momento atual."
Hector Montenegro Terceros tem 9 anos de idade e mora em São Paulo. O pai é engenheiro eletricista e a mãe, historiadora. Quando estava na pré-escola, Hector aprendeu a ler e escrever em apenas duas semanas. A professora, percebendo a precocidade do garoto, aplicou-lhe uma avaliação de nível de raciocínio e descobriu que ele era mais rápido que os colegas. Hector estudava numa escola particular bem conceituada, mas com um método de ensino que tende a ignorar as diferenças intelectuais entre os alunos. Baseava-se fortemente na memorização. O menino tirava notas altas, mas estava sempre infeliz. Não tinha muitos amigos. Não podia aprofundar os assuntos para não alterar o ritmo da classe. "Ele estava sempre deprimido", lembra o pai, Carlos Juvenal Terceros Siles. Há dois anos os pais do menino concluíram que, sem ajuda profissional, o filho se despedaçaria emocionalmente.

100 pontos
Em 1932, nos
Estados Unidos, este é o
QI médio das crianças
RELAÇÃO
ESQUERDA X
DIREITA
112 pontos
Usando a mesma
escala, o QI dos americanos,
hoje, é 12 pontos maior
Os traços comuns da inteligência na infância
Dez sinais que indicam atividade cerebral intensa e produtiva, segundo o psicólogo e pedagogo americano Frederick Tuttle, autor do best-seller Características e Identificação sem tradução para o português
·           Curiosidade
·           Persistência e empenho na satisfação de interesses
·           Capacidade de autocrítica e de criticar os outros
·           Bom humor
·           Facilidade de propor idéias diante de um estímulo novo
·           Liderança
·           Capacidade de se indignar diante de injustiças
·           Facilidade de adaptação a desafios novos
·           Imaginação e fantasia sob controle
·           Facilidade de relacionar informações aparentemente diversas e distantes

Levaram-no para fazer uma avaliação psicológica que incluía um teste de QI. Descobriram que Hector tinha inteligência acima da média, 135. Mudaram o garoto de escola. Hoje ele estuda no Colégio Objetivo, que tem um programa de incentivo aos supertalentos. Faz cursos extracurriculares, entre eles um de tecnologia e outro de literatura. "Antes me sentia muito abafado. Agora tenho colegas da minha e de outras classes. Estou muito mais feliz", diz Hector.
O menino Raphael Ramos, de 4 anos de idade, deu um susto na mãe quando, num fim de semana no sítio, foi brincar com um jogo de conhecimentos gerais e, de setenta perguntas, errou apenas dez. No mês passado, Raphael estava fazendo uma bateria de testes para avaliar sua inteligência. O QI: 139. O psicólogo descobriu que o menino tem capacidade de abstração, de compreensão de conceitos, de manutenção e memória visual verbal muito grande. Seu problema mais grave: como não quer que os coleguinhas do jardim-de-infância achem que ele é diferente, finge que não sabe ler nem escrever. "Raphael precisa ter atividades de grupo, estar sempre entre crianças. Se seu relacionamento social não for bem trabalhado, ele acabará se isolando". Explica Daniel Fuentes, neuropsicólogo do Hospital das Clínicas de São Paulo. A moral dessa história é a seguinte: é preciso estar atento aos desafios que cercam até mesmo os mais inteligentes.
Hoje é consensual a idéia de que o cérebro é um órgão com enorme capacidade de adaptação e expansão. Mais trabalho, ele desenvolve mais ligações entre neurônios, as chamadas sinapses. Pessoas cujo cérebro tem mais sinapses raciocinam mais rápido e resolvem problemas de modo mais eficaz. Para desenvolver uma teia mais complexa não basta o trabalho exaustivo sobre livros e computadores. Estão recomendadas também conversas, passeios, viagens. Cultivar amizades e promover brincadeiras são práticas importantes. Então, mãos à obra. O trabalho que se exige para o desenvolvimento da inteligência não é assim tão enfadonho.

Talentos Famosos
QI 163 - Jayne Mansfield – atriz
Por que as crianças ficam mais inteligentes a cada geração
Uma pesquisa feita no início do ano pela Faculdade de Psicologia da Universidade Cornell, nos Estados Unidos, descobriu que a média do QI das crianças, em uma dezena de países, subiu mais de 20 pontos nos últimos cinqüenta anos. As razões, segundo os pesquisadores, são as seguintes:
·           As famílias são menores, o que permite aos pais dar mais atenção a cada um dos filhos;
·           Os empregos demandam mais atividade intelectual, o que obriga as pessoas a se atualizarem permanentemente. Pais intelectualmente ativos estimulam seus filhos a ser da mesma forma;
·           Nos momentos de lazer, até mesmo para manterem uma conversa com amigos, as pessoas têm de estar atualizadas e bem informadas. O ambiente induz a uma atividade intelectual mais intensa;
·           Os equipamentos eletroeletrônicos e de comunicação domésticos ajudam a formar crianças com habilidades múltiplas. Mexendo no computador, mudando o canal da televisão e ouvindo música, a criança exercita a memória e treina a capacidade de manter a atenção mesmo tempo;
Ensinando a pensar Um método para estimular a inteligência das crianças
Há 25 anos Myrna Shure, professora na Universidade de Ciências da Saúde da Filadélfia, vem aplicando em grupos experimentais, nos Estados Unidos, um método que desenvolveu para que pais e professores ensinem as crianças a pensar. Neste ano Myrna lançou um livro, Raising a Thinking Child, que é uma espécie de manual para pais que queiram estimular a inteligência de seus filhos e está entre os mais vendidos no país. É um roteiro de jogos de conversa. Pais e professores devem trabalhar algumas palavras e expressões até que elas tenham significado para a criança e seu raciocínio vá se tornando mais complexo. Algumas das palavras-chave e sugestões de perguntas para diálogos a serem explorados desde que a criança começa a balbuciar são as seguintes:
·           É/NÃO É - "Você é um menino. O que você não é ?"
·           E/OU - "Devo comprar laranjas ou maçãs? Ou devo comprar laranjas e maçãs?
·           "POR QUE - "Por que você acha que é importante usar cinto de segurança?"
·           IGUAL/DIFERENTE - "O que estas duas bolas têm de igual e o que têm de diferente?" Você consegue fazer coisas diferentes, como sentar e pular, ao mesmo tempo?"
·           TRISTE/FELIZ - "O que sente uma pessoa que está chorando? Como você sabe?" "Como você está se sentido agora?"
·           AGORA/DEPOIS - "À tarde a mamãe tem de trabalhar. Você quer assistir à televisão agora ou prefere brincar com a mamãe e deixar a TV para depois?"
·           ALGUNS/TODOS - "Neste jardim todas as flores são vermelhas ou há algumas amarelas?"
·           ANTES/DEPOIS - "Eu mexo o leite com a colher antes ou depois de ter posto o chocolate em pó?" "Você bateu no menino antes ou depois dele ter lhe xingado?"
·           BOA HORA/MÁ HORA - "Como você acha que eu me sinto quando estou conversando e você me interrompe? Esta é uma boa hora para você falar comigo?"

REFERÊNCIA:
http://www.neuropediatria.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=94:por-que-a-crianca-nao-aprende-na-escola&catid=59:transtorno-de-aprendizagem-escolar&Itemid=147




sábado, 18 de janeiro de 2014

AVALIAÇÕES EM LARGA ESCALA


No panorama educacional, em que existem os mais variados fundamentos e propostas avaliativas, o conjunto dos educadores que refletem sobre a temática avaliativa está preocupado em desenvolver uma análise crítica do papel da avaliação educacional no cotidiano escolar.
O interesse pela área da avaliação no sistema educacional brasileiro pode ser observado pelo desenvolvimento de programas de avaliação em larga escala. Vale ressaltar que os programas de avaliação são desenvolvidos pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira).
Os programas avaliativos de massa defendem que o seu objetivo é conhecer os entraves e as facilidades dos níveis de ensino e, com isso, viabilizar políticas públicas educacionais com intervenções pautadas na realidade pesquisada. Vale, portanto, apontá-los, o ENADE, o Enem e o Saeb, de forma sintética.
O Saeb — Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica — diz respeito ao ensino fundamental. A relevância desse programa é apontada pelo Inep enquanto elemento desencadeador de políticas educativas. O discurso veiculado pelo Instituto, responsável pela operacionalização do programa, é de que seu objetivo é apoiar municípios, estados e a União na formulação de políticas que visem à melhoria da qualidade do ensino. O Saeb, que coleta informações sobre alunos, professores, diretores e escolas públicas e privadas em todo o Brasil, é realizado a cada dois anos pelo Inep e pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC).
Esse programa avaliativo foi aplicado pela primeira vez em 1990. A delimitação do universo amostral tem como sujeitos os alunos da 4ª e 8ª séries do ensino fundamental, e da 3ª série do ensino médio, que fazem provas de língua portuguesa e de matemática. O Saeb inicia suas atividades em 1993, com o objetivo de prover informações para tomadas de decisão, contemplando os mais diversos aspectos das políticas educacionais.
O Saeb está dividido em quatro dimensões:
·          Ao produto, relacionado ao desempenho do aluno.
·         Ao contexto, mapeando o nível socioeconômico dos alunos, seus perfis
e condições.
·         Ao processo de ensino e aprendizagem por meio de documentos e pareceres de professores sobre o planejamento do ensino e da escola, o projeto político pedagógico, a utilização do tempo escolar e as estratégias de ensino.
·         Aos insumos referentes à infraestrutura, espaço físico, instalações, equipamentos, recursos e materiais didáticos.
Os instrumentos de coleta de dados ocorrem por meio de provas dos alunos, questionários socioeconômicos aplicados a eles, questionários aos professores e diretores e questionários sobre as condições da escola.
Vale destacar que severas críticas têm sido feitas ao Saeb: que os modelos de provas deveriam ser diversificados, o processo de amostragem é insuficiente para mapear a realidade educacional, a divulgação e disseminação dos resultados, assim como a apropriação dos resultados nos níveis de gestão educacional, nem sempre são consideradas no desencadeamento de alternativas locais para saná-las.
Concluindo, o Saeb serviu de princípio na construção de Sistemas Regionais de Avaliação, destacando-se os de São Paulo (1992), Minas Gerais (1992), Paraná (1995), Ceará (1996), Bahia (1999), Rio de Janeiro (1999), Pernambuco (1987). Com essas experiências de avaliação regionais, possibilitou-se a formação de técnicos e pesquisadores na área temática nos sistemas de ensino e nas Secretarias de Educação Estaduais. Com isso, novas posturas sobre o trabalho sociocomunicativo, que conferissem à avaliação seu caráter de instrumento de revisão, são fortalecidas, rompendo com o caráter de conotação punitiva e depreciativa da avaliação e
dando-lhe novo significado.
A Provinha Brasil, que surgiu em 2008, é uma avaliação diagnóstica e voluntária para os municípios, aplicada pelos próprios professores. Por meio dela, propõe-se averiguar os conhecimentos adquiridos pelos estudantes nos três anos iniciais do Ensino Fundamental (Brasil, MEC, 2010).
São objetivos da Provinha Brasil:
·          Avaliar o nível de alfabetização dos alunos nos anos iniciais do
Ensino Fundamental.
·         Concorrer para a melhoria da qualidade de ensino.
O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é um programa avaliativo que verifica o desempenho dos estudantes do Ensino Médio. O Enem obedece a uma nova concepção de avaliação. Colabora com as instituições de ensino em seus processos seletivos e, especialmente, oferece ao estudante a possibilidade de fazer uma autoavaliação sobre seu nível de conhecimento e desempenho.
Criado pela Lei n. 10.861, de 14 de abril de 2004, o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes) é o novo instrumento de avaliação superior do MEC/Inep. Ele é formado por três componentes principais: a avaliação das instituições, dos cursos e do desempenho dos estudantes.
O Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes) tem o objetivo de aferir o rendimento dos alunos dos cursos de graduação em relação aos conteúdos programáticos, suas habilidades e competências. A metodologia utilizada para a coleta de dados e seleção do universo a ser pesquisado é realizada por amostragem. A participação no exame constará em documentos como o histórico escolar do estudante ou, quando for o caso, sua dispensa pelo MEC.
O Inep, ao escolher os sujeitos participantes da amostra, utiliza para a seleção o número da inscrição, na própria instituição de ensino superior, dos alunos habilitados a fazer a prova. Ao adentrar nos pressupostos avaliativos inseridos nas concepções de avaliação de massa (Saeb, Enem e Sinaes), podemos observar o Estado enquanto avaliador, aquele que reforça o poder de regulação, pois retoma o controle, a responsabilização e a prestação de contas relacionados com os resultados educacionais e acadêmicos.
O Sinaes tem a proposta avaliativa de que é possível avaliar todos os aspectos que giram em torno dos eixos: o ensino, a pesquisa, a extensão, a responsabilidade social, o desempenho dos alunos, a gestão da instituição, o corpo docente, as instalações, entre outros aspectos.
O Sinaes tem uma série de instrumentos de coletas de informação complementares que abarcam: auto-avaliação, avaliação externa, Enade, condições de ensino,e instrumentos de informação (censo e cadastro). Com os resultados das avaliações, a defesa pelo MEC/Inep é de que é possível traçar um panorama da qualidade dos cursos e instituições de educação superior no país.
Os processos avaliativos são coordenados e supervisionados pela Comissão Nacional de Avaliação da Educação Superior (Conaes). A operacionalização do processo avaliativo é de responsabilidade do Inep. As informações obtidas com o Sinaes são utilizadas pelos Institutos de Ensino Superior (IES)para orientação da sua eficácia institucional e efetividade acadêmica e social; pelos órgãos governamentais, para orientar políticas públicas; e pelos estudantes, pais de alunos, instituições acadêmicas e público em geral, para orientar suas decisões quanto à realidade dos cursos e das instituições.

Referências
BRASIL. MEC. SAEB: Matrizes Curriculares de Referência. 2. ed. Brasília, 1999.
_______. MEC/INEP. ENEM 2003: Manual do Inscrito e Questionário Socioeconômico. Fundação Cesgranrio, 2003.
_______. MEC/INEP/SESu. SINAES: sistema nacional de avaliação de Educação Básica — bases para uma proposta de avaliação da Educação Superior brasileira. Brasília: Comissão Especial de Avaliação,
set. 2003.
______. MEC. Conferência Nacional de Educação 2010 (Conae): documento-referência. Brasília, 2010.

PILETT, Nelson e ROSSATO, Geovanio. Educação Básica: da organização legal ao cotidiano escolar. 1. ed. São Paulo: Ática, 2010.



O CURRÍCULO E A AVALIAÇÃO

 
Ser Professor — Avaliar e Ser Avaliado
Nos dias atuais, a profissão docente envolve trabalhos diversos, como pilhas de cadernos, trabalhos diversos, provas, registro de notas, acontecimentos cotidianos, fichas, relatórios. Frequentemente, ao realizar estas atividades, o docente enfrenta dúvidas decorrentes da necessidade de chegar a uma conclusão sobre a aprendizagem dos alunos e alunas e expô-la aos estudantes, aos outros profissionais e aos pais. Neste sentido, a função do docente é informar em que situação de aprendizagem se encontra o aluno e atribuir um valor a seus conhecimentos. Entretanto, segundo Esteban (2003: 14)

“(...) avaliar, como tarefa docente, mobiliza corações e mentes, afetos e razão, desejos e possibilidades. É uma tarefa que dá identidade à professora, normatiza sua ação, define etapas e procedimentos escolares, media relações, determina continuidades e rupturas, orienta a prática pedagógica.”

A avaliação, durante muito tempo, é considerada como tarefa escolar, inscrevendo-se em um conjunto de práticas sociais que tomam o conhecimento como um meio de manipulação e dominação do mundo, concebendo o aluno como um sujeito a-histórico e cumpridor de papéis já definidos pelos que detêm o poder.
Dois modelos de avaliação ganham destaque: a avaliação classificatória e a avaliação qualitativa.
O primeiro modelo (avaliação classificatória) compõe em seu bojo a predominância das ideias de mérito, julgamento, punição e recompensa, exigindo o distanciamento entre o avaliador e o avaliado.
Para realizar suas atividades avaliativas, seguindo o modelo classificatório, o docente, segundo Esteban (op. cit., p. 15),

“(...) deve cercar-se de garantias para que o processo realizado produza resultados verdadeiros, objetivos, fidedignos, que explicitem o real valor de cada um dos alunos e alunas, os quais, classificados e hierarquizados, terão recompensas, punições ou os tratamentos adequados a cada caso.”
        Com esta prática avaliativa, o docente desconsidera questões inerentes ao ato de ensinar e de aprender, uma vez que medir o conhecimento para classificar os estudantes apresenta-se como uma tarefa que isola os sujeitos, dificulta o diálogo, reduz os espaços de solidariedade e de cooperação, estimulando a competição.
         No segundo modelo, a avaliação é concebida como qualitativa, um modelo de transição, por ter como ênfase a compreensão dos processos, dos sujeitos e da aprendizagem. A avaliação qualitativa se propõe a reordenar o processo avaliativo pela incorporação de alguns princípios do conhecimento-emancipação, em especial da comunidade com suas dimensões de participação e de solidariedade. Permite transformações no processo, dando uma ênfase aos aspectos subjetivos e coletivos da avaliação.
De acordo com Esteban (2003: 30), a avaliação qualitativa

“(...) como modelo de transição, anuncia novas possibilidades que conectam a avaliação aos processos de democratização da escola como parte da dinâmica de emancipação social. (...) Traz desafios que podemos enfrentar vinculando nossa discussão ao movimento em que se tece o conhecimento-emancipação.”

Deste modo, a avaliação qualitativa deve ser pensada e realizada em uma dimensão de investigação, pois constitui um diálogo com experiências cotidianas na escola e com a formulação teórica em que ambos indicam alguns desafios, sobre os quais enfatizam a produção do conhecimento como processo realizado por seres humanos em interação, que, ao conhecer, adquirem autoconhecimento; ao produzir o mundo no qual vivem, produzem; ao viver, esgotam suas possibilidades de vida individual e estreitam os laços que unem cada um à infinita rede da vida. Neste contexto, a avaliação qualitativa enquanto um instrumento investigativo proporciona reformular outras compreensões das vivências compartilhadas no processo pedagógico, principalmente àqueles pertencentes às camadas populares.
Ainda conforme Esteban (2003: 35), compartilhando e investigando o processo, o docente pode incorporar novos conhecimentos, pois ao conhecer a realidade sobre

“(...) cada um de seus alunos e alunas, sobre o coletivo do qual participam, sobre sua ação como docente, sobre sua atuação no coletivo; pode ir ajudando cada um de seus alunos e alunas a tomar a prática pedagógica, o processo aprender-ensinar, como material para sua própria reflexão (...).”

A defesa de Esteban está alicerçada no pressuposto de que aprender profundamente os processos torna mais fácil o ato de ensinar e aprender. O docente, ao avaliar seus alunos, é avaliado em um processo coletivo, cooperativo e solidário, que busca a ampliação permanente da qualidade da escola, pautada na preocupação com o conhecimento a ser adquirido pelos alunos.
Referências
ESTEBAN, Maria Teresa (org.). Escola, Currículo e Avaliação.São Paulo: Cortez, 2003.
______. (org.). Práticas avaliativas e aprendizagens significativas: em diferentes áreas do currículo. Porto Alegre; Mediação, 2003.
______. “A avaliação no cotidiano escolar”. In: ESTEBAN, Maria Teresa (org.). Avaliação: uma prática em busca de novos sentidos2. ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2002.
______. Escola, Currículo e Avaliação. São Paulo: Cortez, 2003 (Série cultura, memória e currículo).